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Amizade sem trato
  

É fato: quando penso no que tenho de mais valioso, os amigos aparecem em pé de igualdade com o resto da família. E quando ouço pessoas dizendo que amigo, mas amigo meeeesmo, a gente só tem dois ou três, empino o peito e fico até meio besta de tanto orgulho: eu tenho muito mais que dois ou três.
Fulano é meu amigo, Sicrana é minha amiga. É nada. São conhecidos. Gente que cumprimentamos na rua, falamos rapidamente numa festa, mas amigos? Nem perto.
Amizade não é só empatia, é cultivo. Exige tempo, disposição. E o mais importante: o carinho não precisa -nem deve - vir acompanhado de um motivo. Para saber a diferença entre um amigo de verdade e um amigo ocasional, basta tirar a razão. Você não precisa de uma razão, basta sentir falta da pessoa. Não é preciso manifestações constantes de carinho, podem dizer verdades duras, às vezes elas são necessárias. Mas há sempre algo sublime no ar entre dois amigos de verdade. Talvez respeito seja a palavra. Afeto, certamente. Cumplicidade? Mais do que isso. Sintonia?
Acho que é amor.
Por amor você empresta suas coisas, dá seu tempo, é honesto nas suas respostas, cuida para não ofender, abraça causas que não são suas, entra numas roubadas, compreende alguns sumiços, só que liga quando o sumiço é exagerado. Tudo isso é amizade com trato.
E ainda argumentamos que a solidão é um sintoma destes dias de hoje, tão emergenciais, tão individualistas. Nada disso. A solidão é apenas um sintoma do nosso descaso.
Martha Medeiros (resumo feito por Manuela Furtado) In: Revista O GLOBO 10/09/2006
P.S: Feliz dia do jornalista aos meus amigos de profissão (q não são apenas colegas).
P.S II: Em sentido horário Marcela, Alessandro, Márcia, Dani e Priscila(por favor, não me matem!!!!)
Escrito por Manu Furtado às 20h11
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