
Ghaya
Vi-lhes pequeninos
Indefesos, indecisos
Com carinho, os acolhi
Escolhi vocês como meus amores
Mal sabia eu dos dissabores
Que viriam me causar
Cresceram levadas crianças
Perdeu-se de mim a esperança
De não lhes castigar
Porque fazer isso comigo?
Se sou mãe, sou Gaia, sou abrigo
Pobres meninos! Sem mãe irão ficar
É, se continuarem, vou lhes abandonar
Por isso, mais uma vez peço:
Não escureçam os rios
Não furem o céu
Não esquentem o sol
Não deixem a ganância lhes cegar
É dizendo não que uma mãe ensina;
Por isso vou continuar:
Não calem os pássaros
Não desrespeitem as matas
Não apaguem as flores
Não abram mais feridas
Não causem mais dores.
Mãe Terra, 30 de dezembro de 2008.
Escrito por Manu Furtado às 00h52
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